Adaptações no trabalho para quem tem PHDA, do espaço ao ditado
Se tens PHDA e trabalhas num escritório, em teletrabalho ou ao balcão, conheces o momento: a tarefa é simples, sabes o que queres dizer, e o email continua em branco meia hora depois. Raramente é falta de capacidade. É o custo de arrancar, a dificuldade em manter o foco numa tarefa longa e o ruído à volta.
Este artigo junta as adaptações que as pessoas com PHDA costumam pedir ou montar sozinhas, como as podes propor à chefia, e onde o ditado por voz tira atrito à escrita.
Ajustes no tempo e nas tarefas
Quase todos os ajustes úteis não custam nada à empresa. Muda a forma como o trabalho te chega.
- Prazos partidos: em vez de "relatório até sexta", três entregas pequenas (tópicos na terça, rascunho na quarta, versão final na sexta). Cada etapa tem um início claro.
- Pausas marcadas: blocos de 25 a 50 minutos com um intervalo curto. Levantas-te, bebes água, voltas. A pausa combinada evita a que se transforma numa hora no telemóvel.
- Instruções por escrito: pede que as tarefas faladas numa reunião sejam confirmadas por mensagem. A memória de trabalho é um ponto fraco frequente na PHDA.
- Uma tarefa à vista de cada vez: uma lista curta do dia, com a próxima acção concreta ("abrir a folha de cálculo de Março"), e não o projecto inteiro.
Ajustes no espaço
Em Portugal podes levar o assunto aos recursos humanos ou à chefia com um relatório médico. Não tens de contar o que não queres. Muitas vezes chega pedir o ajuste concreto ("posso receber as tarefas por escrito?") sem falar do diagnóstico. Para diagnóstico e tratamento, fala com um médico ou psicólogo.
- Um sítio sossegado ou autorização para usar auscultadores com cancelamento de ruído.
- Notificações agrupadas: o chat e o email vêem-se a horas fixas, não a cada alerta.
- Reuniões com ordem de trabalhos enviada antes e resumo enviado depois.
- Horário flexível para fazeres o trabalho de concentração na altura do dia em que rendes mais.
Porque é que escrever bloqueia
Escrever junta tudo o que a PHDA complica: decidir por onde começar, segurar a frase na cabeça enquanto escreves ao teclado e resistir a rever a primeira linha dez vezes. Falar tem menos passos. A maioria das pessoas escreve ao teclado perto de 40 palavras por minuto e fala perto de 130, e a fala sai pela ordem em que o pensamento chega.
Por isso muitas pessoas com PHDA escrevem melhor quando falam primeiro e arrumam depois.
Onde o ditado por voz entra
O ditado não trata a PHDA. Tira um obstáculo do caminho: a página em branco. Com o usarvoz falas o email ou o relatório e o texto entra no campo já pontuado, sem os "hum" e "ãh".
- No computador, instala a extensão do usarvoz no Chrome e entra com o teu email (recebes um código de 6 dígitos, sem palavra-passe).
- Abre o Gmail, o Outlook web ou o Google Docs e clica no campo de texto. O botão azul do microfone aparece no canto.
- No popup da extensão escolhe o modo Email para emails. Para tópicos de uma reunião, usa Notas: cada frase passa a ser um tópico.
- Clica no botão ou carrega em Alt+Shift+V, fala tudo sem parar para corrigir e clica outra vez. Revês ao teclado no fim.
- No telemóvel, usa o teclado do usarvoz no iPhone (com uma sessão de ditado ligada) ou a bolha no Android para responder às mensagens do trabalho.
Os nomes de clientes, sistemas internos e siglas da empresa vão para o dicionário da tua conta, até 500 palavras, e passam a sair bem escritos.
Começa o próximo email a falar. 30 minutos grátis, sem cartão.
Experimentar grátisPerguntas frequentes
Preciso de diagnóstico para pedir adaptações?
Para ajustes simples, como receber as tarefas por escrito, normalmente não. Para um pedido formal aos recursos humanos, um relatório médico ajuda. Fala com o teu médico sobre o teu caso.
Ditar não me vai distrair ainda mais?
Para muitas pessoas, falar segura o fio do pensamento melhor do que escrever ao teclado. A regra que ajuda: não corrijas enquanto falas. Diz tudo e revê no fim.
Quanto custa o usarvoz?
30 minutos grátis, sem cartão. O Pro custa 5,99 € por mês, com 8 horas de ditado na nuvem por mês.