Ditado para advogados: peças, pareceres e emails ditados no browser
O ditado é velho no Direito. Havia o gravador, a secretária que passava a peça à máquina e, mais tarde, os programas de ditado instalados no computador. Hoje muito do trabalho corre no browser: o Citius, o Gmail ou o Outlook na web, o Google Docs, o Word online. É aí que o ditado tem de funcionar.
Este artigo é para quem escreve muito e tecla mais devagar do que pensa: advogados de contencioso e de consultoria, solicitadores e advogados estagiários que redigem minutas o dia inteiro.
O que compensa ditar no escritório
O que não convém ditar: jurisprudência transcrita à letra, números de processo e artigos do Código em série. Isso copia-se da fonte, sem risco de gralha.
- Factos da petição inicial: a narrativa do caso sai melhor falada, como a contarias ao juiz.
- Contestações, requerimentos e alegações: o esqueleto dos argumentos, que depois afinas com citações.
- Pareceres: a análise corrida, antes de arrumares a conclusão.
- Emails a clientes: explicar o ponto do processo em linguagem simples.
- Notas de reunião: o que o cliente contou, logo a seguir a sair do escritório.
Ditar uma peça sem perder a estrutura
- Antes de falar, escreve os títulos da peça: Dos Factos, Do Direito, Do Pedido.
- Fala um ponto de cada vez, ao teu ritmo: fala como falas: o usarvoz pontua sozinho; se disseres a pontuação, respeita-a. Diz "novo parágrafo" e o texto muda de parágrafo.
- Assinala na revisão os trechos que vais citar depois e confirma as aspas antes de entregar.
- Deixa marcas faladas onde falta a referência, por exemplo "citar acórdão aqui", e procura-a no fim.
- Revê com calma: termos técnicos, nomes das partes e números pedem sempre leitura atenta.
Termos técnicos e nomes das partes
O reconhecimento de voz acerta bem o português corrente. O ponto fraco são nomes próprios raros e latinismos menos comuns. Expressões como "ex officio", "ad quem" ou o nome de uma sociedade cliente podem sair diferentes do que pretendes.
No usarvoz, acrescentas até 500 palavras ou nomes ao dicionário da conta (/conta.html). A transcrição final usa-os como pista e os nomes passam a sair bem escritos. A revisão continua a ser tua: uma peça processual não sai sem leitura.
Onde o ditado por voz entra
No computador, o usarvoz é uma extensão do Chrome: surge um botão de microfone em cada caixa de texto, do Google Docs ao email na web. Não existe programa para instalar no computador: se redigires no Word instalado, dita no Word online ou no Google Docs e cola. No telemóvel, o teclado do iPhone e a bolha do Android servem para responder a clientes entre diligências. Usa o modo Email para mensagens formais: cada frase fecha com ponto.
- Instala a extensão do usarvoz no Chrome e entra com o teu email (chega um código de 6 dígitos, sem palavra-passe).
- Clica na caixa de texto onde queres escrever. O botão azul do microfone aparece no canto da caixa.
- Clica no botão, ou carrega em Alt+Shift+V, e fala. A pré-visualização aparece numa bolha enquanto falas; nada entra na caixa antes de parares.
- Clica outra vez para parar. O texto limpo entra onde estava o cursor.
O áudio é apagado depois da transcrição e o texto ditado não fica no servidor, salvo se activares o histórico. Nada serve para treinar modelos. Tratamento conforme o RGPD.
Escreve a próxima minuta a falar no browser: 30 minutos grátis, sem cartão.
Experimentar grátisPerguntas frequentes
Posso ditar directamente no Citius?
Se a caixa de texto abre no Chrome, o botão aparece. Muitos advogados preferem ditar no Google Docs, rever e colar a peça depois.
O ditado percebe latim jurídico?
As expressões correntes costumam sair bem. As raras entram no dicionário da conta, que aceita até 500 palavras.
E o sigilo profissional?
O áudio é apagado após a transcrição, o texto não fica guardado sem o histórico activo e os teus dados não treinam modelos.